domingo, 31 de julho de 2011
Alucinados
sexta-feira, 29 de julho de 2011
Porta retrato
Educação infantil
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Desmedido
É estranho se sentir vazio e conhecer cada detalhe desse espaço. Seria um espaço?
É estranho sentir medo de sentir. Teria cabimento?
É estranho não ouvir sinos tocando. Esqueci os contos de fadas?
É estranho sentir a pele esticar. Síndrome de Peter Pan?
Nada que me faça mover uma palha. Nada que me faça querer e desejar uma carne crua, um corpo quente. Mas as cores daquela unha me tiram do sério. Aquele verde junto à cor dourada da pele e o branco dos dentes escancarados em um sorriso roubado por mim fazem meus pés baterem em um ritmo acelerado. Desnorteante. É como receber uma tapa antes do gozo.
Contraditório, sei bem, mas é assim.
Sem planos, mesmo que me perca nas horas imaginando o dia seguinte. Sem compromisso, mesmo que desperceba outros sorrisos. Meu vazio é bem recheado com paredes de labirinto.
Extremo da loucura. Receio pelo tempo apertado, assim como eu. Receio por mim mesma que pareço desconhecida dentro disso tudo.
Soluções. Elas são para os calculistas. Frias, metrificadas.
Pois, sem rima, sem jeito, com medo e com olhos vendados me largo, mais uma vez, por esse mundo perturbado dos que se apaixonam.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Mantenha sua janela sempre aberta
Minha janela me surpreende. Agora, às 2 da manhã, eu posso ter uma conversa amigável com o vizinho do prédio ao lado fumando seu baseado sagrado e eu fumando o meu careta. Me vem a cabeça os risos dele: a menina fuma cigarro sem graça. E a minha inveja pelo outro fumo. Bem que eu podia puxar dessa fumaça mais leve. O tenho como um amigo da madrugada. Sempre sou recebida com um comprimento tímido; ele balança a cabeça de lá e eu de cá. Fico na janela só o tempo do cigarro, mas ele fica mais. Quando volto pra fumar o segundo ele sempre está olhando o que eu não posso vê. Nessa hora ele já nem me nota mais. Ai eu começo a olhar os movimentos, tento imaginar o que tem dentro daquele quarto, do qual mal consigo vê um quadro de moldura fina e escura. Um mundo de outrem que desconheço por completo.
sábado, 7 de maio de 2011
Ausências internas
Era uma noite confusa por vários motivos. O céu estava com cara de chuva, o vento estava frio como se fosse chover, mas não choveu. E em Alice tudo era muito parecido, estava com uma cara de quem precisa chorar, as mãos frias como se tivessem enxugado lágrimas, mas ela não chorou, apesar desta ser sua maior vontade. Mas era um choro como o mau tempo que fazia. Desnecessário. Ela sabia disso e só por saber se sufocava em uma angustia totalmente desconhecida. É quando tudo está assim, como agora, que dói mais.
domingo, 3 de abril de 2011
Quando o Cabaré abre as portas, ou as pernas.
Eu gosto das putas. Sim, e agora não falo das que amo, mas das que ficam na rua mesmo. Eu gosto delas. Do batom vermelho e as sombras azuis baratas. Gosto da conversa e do cheiro do suor de sexo que elas exalam mesmo paradas. A vulgaridade e a elegância nascidas em um corpo só. O jeito do sorri que sabe esconder a humilhação ou até a pouca vergonha para assumir que gosta de sexo pago. A sinceridade e a experiência na arte do gozo. Antes de morre quero um quarto de motel de beira de estrada, um cigarro barato e uma puta muito bem paga pra trocar uma prosa rápida e chegar ao céu aterrorizando as boas moças.